quarta-feira, junho 25, 2008

Prece



Se um dia,
lá de cima,
me ordenar o criador
que escolha o modo
de minha vida expirar,
respondo-lhe sem temor
e sem medo de reconsiderar:

-Mata me de forma rápida ou lenta…
De forma serena…
Com dor…

Faz me morrer de desejo…
De forma violenta…
De frio…calor…

Ardido…afogado…
Com sede…com fome…
Cansado…abatido…
Tudo a terra come.

Cortado…atingido,
com sangue em redor…
Em casa sem perigo…
como acheis melhor…

Só tenho uma prece
que é para que morra com louvor:
Não quero a morte que ninguém merece,
só não quero morrer de amor.

terça-feira, agosto 07, 2007

Quadro Pintado


Sou o poeta que pinta por palavras,
o pós, o presente, o passado,
promessas parvas, perdidas, pacatas,
preenchem meu poema pintado.
Neste traço busco e caço
lembranças do teu amasso
porque por onde passo embaraço
por não sentir mais teu abraço.
Carrego com cores chamativas
a chama não correspondida,
as cinzas essas, ficaram contidas
na caixa da compreensão incompreendida.

quarta-feira, agosto 30, 2006

Hora de partir




Sou o que sou,
não sou o que sonhas que eu seja,
não sou um saber sem fim
que sem saber tudo almeja.
Não sou a calma que tens procurado,
é frenezim e caos que de mim emana,
não sendo ferias, não sou feriado
nem sou o sossegado fim de semana.
Não sou feito de serenidade,
tudo em mim explode vezes sem conta,
não sendo aldeia sou a cidade,
não sendo o pacato passeio,sou hora de ponta.

Hora de partir,
não há porque mais tempo perder.
Cidade procura país
perfeito para a acolher,
onde possa sem pedir
simpesmente explodir,
onde possa sem pedir
simpesmente ser.

sábado, agosto 19, 2006

Valer a pena


Não vale a pena o rio correr apressado,
de milhões de obstaculos ter de se desviar,
não vale a pena se acaba por ser barrado
por uma barragem que o quer parar.
Não vale a pena liderar uma corrida,
ver a meta sem ninguém á frente,
se a dez metros ela for perdida
para alguem que surge de repente.

Não valeu a pena uma tarde ter reparado em ti,
não valeu a pena o esforço de te conhecer,
não valeu a pena sentir o que senti,
não valeu a pena sonhar sem adormecer.
Não valeu a pena ter a tua amizade
se o que mais quero é o teu amor,
é como viver numa falsa realidade
a indesejada personagem de actor.

Não vale a pena aproximar-me de ti.
Porque custa...
Não vale a pena afastar-me de ti.
Porque custa...
Porque custa
tanto gostar de ti?

Não valeu a pena tantas vezes sentir que valia a pena.

E só esse sorriso vai para sempre valer a pena.

domingo, janeiro 01, 2006

Tu não sabes



Sem pedir licença invado o teu espaço,
onde um dia me proibiste de entrar.
Eu não liguei e por ele ando,por ele passo
e tu me compreenderias se soubesses o que é amar.
Mas tu não sabes o que é amar,
nem o que é amar sem ser correspondido,
não sabes o que é vaguear pelas ruas perdido
em tristes noites sem luar.
Não imaginas a revolta que existe
quando enfrentamos sem esperança a dor,
não sabes o que é sozinho e triste
escrever um poema de amor.
Não entendes como pode um homem viver perturbado
por causa de uma mulher não o querer,
não percebes o significado
que um simples gesto pode ter.
Gostava que tudo fosse diferente
porque tudo o que fazes magoa.
Gostava que sentisses como sente toda a gente
e que amasses como ama uma pessoa.

terça-feira, dezembro 06, 2005

Não quero voar



Não quero voar até ao infinito,
não quero ser aquilo que não sou,
porque voar, voa também um mosquito
e um mosquito já toda a gente matou.
Não quero criar uma grande espectativa
pois não sei se o futuro é bom ou mau
mas sei que há uma grande subida
que devo percorrer degrau a degrau.
Sonhar só sonho com os olhos fechados,
não olho para cima,só olho para a frente,
é por ter desejos demasiadamente elevados
que a nossa vida se torna deprimente.
A realidade é uma terra dura
mas é nessa terra que eu me movo,
tudo o resto é total loucura,
imaginação que aliena o povo.
Descobri que não há no mar sereias
e que não há Deuses no Olimpo
mas há ruas por onde vagueias
e paixões que ainda hoje eu sinto.

Triste Reino



O mundo inteiro chora por mim...
Os sinos tocam sem parar...
Porque chora o mundo assim?
Porque não param os sinos de tocar?
Toda a gente saiu de casa
como um lenço branco na mão
e enquanto o caixão passa
bem agitados eles são.
Está a corte vestida de negro
e eu estou vestido de gris,
parece que morri cedo
mas o destino assim quis.
Fui e não deixei descendência
pois ninguém quis ser rainha,
peço ao povo clemência
mas deixei tudo o que tinha.
Nunca me deram valor...
E eu que fiz feliz tanta gente...
Quem me dera ter sido uma flor...
Quem me dera ter sido algo diferente...
Pois foi triste, sozinho e sem rumo
que pela minha vida vagueei
e só agora no meu túmulo
recebo um tratamento de rei.
Mas de que me serve isso agora
se o meu reinado acabou?
Por favor ide embora
que a flor da minha vida murchou.

Arte



No filme da minha vida
há uma actriz principal
que não é reconhecida
nem têm fama internacional.
Mas para mim ela é de facto
uma fada que me veio encantar,
é sem dúvida o mais lindo retrato,
a mais bela pintura de Renoir.
É como que um poema...
Daqueles que aparece á toa...
E acaba por ser o tema
mais famoso de Pessoa.
Ela é uma escultura perfeita
que nada têm de mal
e que parece que foi feita
para se tornar real.
É uma musica feita num dia...
Num dia de grande inspiração...
Ela é a unica melodia
que toca no meu coração.

É azul



Azul é a cor do MAR imenso
e do CÉU que não têm fim,
de uns OLHOS que não têm preço
e da LÁGRIMA que corre em mim.
Como eu gosto do MAR salgado
que refresca toda a minha vida,
onde um dia te vi tomando banho
em toda aquela imensidão perdida.
Como é belo o CÉU claro
de onde sempre quis que caísses
e para onde antes de me amar
o destino quis que partisses.
Ah...São divinos esses teus OLHOS
que não saem da minha memória
e que embora não tenham reparado em mim
perpetuaram a tua história.
Tudo isto eu tento esconder,
a isto tento parecer indiferente
mas há uma LÁGRIMA azulada
que tudo torna transparente.
Infelizmente...

domingo, dezembro 04, 2005

Drogas



Há drogas que não se injectam,
drogas que não se inspiram,
há drogas que não se provam,
drogas que nunca se viram.
É uma droga que corre pelo sangue,
a droga da solidão...
Não passa de gang em gang,
está no meio da multidão.
São drogas que não são proibidas
e que infelizmente não são fatais,
é a droga da despedida
sempre que embora tu vais.
É a droga de não estares perto,
de eu sentir que estás perdida,
provoca em mim um aperto
a droga da minha vida.

sexta-feira, dezembro 02, 2005

A mentira de um beijo




Um beijo é só um beijo,
nada mais é do que isso.
Não é um mundo novo que aparece
transformando tudo
como que por magia,
não é sequer um gesto
que o coração aquece
e nem sempre é um acto de cortesia.
Eu que não suscito paixões nem amo
e que por não amar tudo vejo
peço-vos:
Por favor amigos
não se enganem,
digam o que disserem
um beijo é só um beijo.
Uma palavra com tão pouco significado
não deveria vir no dicionário,
um beijo é um acto que engana,
que leva a pensar que é amado
aquele que ninguém ama.

A cidade dos anjos



Se há uma existência superior
então já fiz parte dela,
os anjos não cheiram uma flor
mas sabem que ela é bela.
Não possuem um paladar,
não conhecem sequer a dor
mas sabem o que é amar
e percebem o que é o amor.
De Deus já fui mensageiro
mas apenas até te conhecer,
tornei-me então passageiro
numa viagem á terra do prazer.
Sacrifiquei minha imortalidade
porque me apaixonei por ti,
pude eu assim de verdade
sentir o que nunca senti.
Mas uma rajada de vento
a chama da tua vida apagou,
depressa passou o tempo,
cedo a tua alma voou.
Subiste assim ao infinito...
Deixaste-me ficar no chão...
Irónico...ficou na terra o teu mito
e foi para o céu o meu coração.
Voltei a desejar nada sentir
"a não ser o frio da agua".
Foi-se a razão para eu existir,
ficou em mim esta mágoa.
Mas quero que saibas por mim
que apesar de me sentir perdido,
prefiro ter este fim
a nunca te ter sentido.

(O poema é totalmente baseado e inspirado no filme CITY OF ANGELS.)

As três caras do Porto



O Porto é uma cidade diferente,
é património da humanidade,
sentem bem as suas gentes
o valor desta cidade.
A ribeira acorda enevoada,
o rio espelha o céu cinzento,
vê-se a cidade de repente povoada
por um incontrolável movimento.
O sol chega á hora de almoço
e o Douro de brilhar não pára,
continua a cidade em alvoroço
mas tem agora uma nova cara.
A magia chega ao enoitecer,
pelo Porto não há quem indiferente passe,
podem agora seus habitantes ver
a sua terceira e ultima face.

Encanto



Sorri,
como só tu sabes sorrir...
Encanta-me com o teu sorriso
que é unico e me faz sentir
tão perto...tão perto do paraiso.
Sorrindo fala comigo!
A sorrir passa por mim!
Pois teu sorriso é o mais lindo
e nunca eu vi nada assim.
E se com esse teu sorriso estiver
esse teu olhar profundo
serás decerto a mulher
mais bela que há no mundo.
Por isso encontra-me com o teu olhar,
não o desvies jamais do meu,
ai...que vontade de juntar
teus lábios,teus olhos e eu...
Esse seria o momento
mais belo da minha vida,
acabaria o sofrimento
e a tristeza seria esquecida...
Pois a razão de eu existir,
a razão de eu aqui estar,
explica-se com o teu sorrir
e encontra-se no teu olhar.

Beco sem saída



São furacões,relâmpagos,tornados,
indomáveis vulcões em erupção,
iceberges sem rumo,dilúvios,ventos gelados,
fenómenos horriveis sem explicação.
São terremotos que põe tudo em ruinas,
ondas gigantes que invadem a terra,
pessoas que morrem por causa de minas,
pessoas que morrem por causa da guerra.
Os rios são esgotos que não têm fim.
Os oceanos cemitérios onde outrora houve vida.
O mal vive cada vez mais perto de mim
e eu estou num beco sem saída.
Tudo é feio,mau,violento...
Porque hei-de eu querer viver
se a torpe vida dura só um momento
e esse momento só serve para sofrer?

quinta-feira, dezembro 01, 2005

Alvorada



Paixão igual nunca se viu
nem nunca se há-de ver,
o mundo a ela assistiu
e sofre por ver sofrer.
De um lado está o sol altivo,
do outro a lua envergonhada,
que momento mais bonito
o de uma linda alvorada.
O sol e a lua estão perto
mas não se podem tocar,
por isso esta é decerto
a mais estranha forma de amar.
Mas o sol continua brilhando
e a lua continua lá,
como é romantico quando
o sol á lua, seu brilho dá.
A lua timidamente agradece,
sua beleza torna-se infinita
e o sol bruscamente aquece
com a vaidade que nela habita.
Não param os dois de sorrir
embora a felicidade esteja perdida,
não conhecem a palavra desistir...
Que bela lição de vida.

O silêncio não é bom



Tu nada escutas...
Não ouves nem um pio...
O sentimento é estranho,
há dentro de ti um vazio...
O SILÊNCIO NÃO É BOM!
É uma declaração de amor
que alguém com medo não declarou
e que por estar em silêncio
quem se ia amar,não se amou.
São momentos tristes,mortos,pesados,
os de um silêncio avassalador,
ficam os relogios parados,
deixa o sol de se pôr...
O SILÊNCIO NÃO É BOM!
É um pedido de perdão
que alguém com medo não formulou
e que por estar em silêncio
quem ia desculpar,não desculpou.
E é quando tudo pára
que as lagrimas inundam o teu ser.
Como pode alguém gostar
de uma coisa que faz sofrer?
O SILÊNCIO NÃO É BOM!
É uma procura de felicidade
que alguém com medo não procurou
e que por estar em silêncio
em vez de a encontrar,não a encontrou.
A velhice chega depressa,
cada vez tudo está mais quieto
e tu assim vais esperando
o teu destino mais do que certo.
O SILÊNCIO NÃO É BOM!
É no fundo um medo,
um medo que não se pode compreender,
pois quem da vida têm medo
o seu azar foi nascer.
E é por isto que eu digo
falando alto e a bom som,
que o silencio não é amigo,
O SILÊNCIO NÃO É BOM.

Ilusão



E aparece a noite assim ousada,
cobrindo de negro a minha cidade,
de repente TUDO se transforma em NADA
e eu que estou preso saio em liberdade.
Suave, doce, calma...
Assim fica toda a rua,
desprende se o corpo da alma,
fica a alma toda nua!
E despida vai ela caminhando
pensando que vai com sorte,
mal sabe que por onde caminha,
caminhará também a morte.

O Medo



O medo é sentirmo-nos sós,
é sentir o coração a bater forte,
é gritar e não ouvirmos a nossa voz,
é perdidos não distinguirmos o sul do norte.
É sentir uma grande insegurança,
é não acreditarmos em ninguém,
é uma altura de mudança,
é do pior que o mundo têm.
É não termos ninguém com quem estar,
é viver pensando na morte,
é começar de repente a chorar,
é pensar que nunca tivemos sorte.
É não haver mais ninguém na terra,
é olhar á volta e nada ver,
é vermo-nos no meio de uma guerra,
é quando a coragem que temos deixamos de ter.
É vermos tudo na escuridão,
é nada vermos na claridade,
é a tudo dizer que não,
é em tudo vermos calamidade.
É nunca ter ninguém de braços abertos,
é pensar que morremos cedo,
é não ter amigos certos
e é tudo isto o medo.