quarta-feira, agosto 30, 2006

Hora de partir




Sou o que sou,
não sou o que sonhas que eu seja,
não sou um saber sem fim
que sem saber tudo almeja.
Não sou a calma que tens procurado,
é frenezim e caos que de mim emana,
não sendo ferias, não sou feriado
nem sou o sossegado fim de semana.
Não sou feito de serenidade,
tudo em mim explode vezes sem conta,
não sendo aldeia sou a cidade,
não sendo o pacato passeio,sou hora de ponta.

Hora de partir,
não há porque mais tempo perder.
Cidade procura país
perfeito para a acolher,
onde possa sem pedir
simpesmente explodir,
onde possa sem pedir
simpesmente ser.

sábado, agosto 19, 2006

Valer a pena


Não vale a pena o rio correr apressado,
de milhões de obstaculos ter de se desviar,
não vale a pena se acaba por ser barrado
por uma barragem que o quer parar.
Não vale a pena liderar uma corrida,
ver a meta sem ninguém á frente,
se a dez metros ela for perdida
para alguem que surge de repente.

Não valeu a pena uma tarde ter reparado em ti,
não valeu a pena o esforço de te conhecer,
não valeu a pena sentir o que senti,
não valeu a pena sonhar sem adormecer.
Não valeu a pena ter a tua amizade
se o que mais quero é o teu amor,
é como viver numa falsa realidade
a indesejada personagem de actor.

Não vale a pena aproximar-me de ti.
Porque custa...
Não vale a pena afastar-me de ti.
Porque custa...
Porque custa
tanto gostar de ti?

Não valeu a pena tantas vezes sentir que valia a pena.

E só esse sorriso vai para sempre valer a pena.