terça-feira, agosto 07, 2007

Quadro Pintado


Sou o poeta que pinta por palavras,
o pós, o presente, o passado,
promessas parvas, perdidas, pacatas,
preenchem meu poema pintado.
Neste traço busco e caço
lembranças do teu amasso
porque por onde passo embaraço
por não sentir mais teu abraço.
Carrego com cores chamativas
a chama não correspondida,
as cinzas essas, ficaram contidas
na caixa da compreensão incompreendida.

3 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Gosto quando te calas



Gosto quando te calas porque estás como ausente,
e me ouves de longe, minha voz não te toca.
Parece que os olhos tivessem de ti voado
e parece que um beijo te fechara a boca.

Como todas as coisas estão cheias da minha alma
emerge das coisas, cheia da minha alma.
Borboleta de sonho, pareces com minha alma,
e te pareces com a palavra melancolia.

Gosto de ti quando calas e estás como distante.
E estás como que te queixando, borboleta em arrulho.
E me ouves de longe, e a minha voz não te alcança:
Deixa-me que me cale com o silêncio teu.

Deixa-me que te fale também com o teu silêncio
claro como uma lâmpada, simples como um anel.
És como a noite, calada e constelada.
Teu silêncio é de estrela, tão longinqüo e singelo.

Gosto de ti quando calas porque estás como ausente.
Distante e dolorosa como se tivesses morrido.
Uma palavra então, um sorriso bastam.
E eu estou alegre, alegre de que não seja verdade.

5:26 PM  
Anonymous Anônimo said...

CORPO de MULHER

Corpo de mulher, brancas colinas, coxas níveas,
pareces-te com o mundo na tua atitude de entrega.
O meu corpo de lavrador selvagem escava em ti
e faz saltar o filho do mais fundo da terra.
Fui só como um túnel. De mim fugiam os pássaros,
e em mim a noite forçava a sua invasão poderosa.
Para sobreviver forjei-te como uma arma,
como uma flecha no meu arco, como uma pedra na
minha funda.
Porém chega a hora da vingança, e eu amo-te.
Corpo de pele e de musgo, de leite ávido e firme.
Ah, os copos do peito! Ah, os olhos de ausência!
Ah as rosas do púbis! Ah a tua voz lenta e triste!
Corpo de mulher minha, persistirei na tua graça.
Minha sede, minha ânsia sem limite, meu caminho
indeciso!
Escuros regos onde a sede eterna continua,
e a fatiga continua, e a dor infinita.

5:41 PM  
Blogger Ana said...

E bonitos que são os teus "quadros" escritos ;)

9:58 AM  

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